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Prólogo
Minha história no segmento de etiquetas e personalização têxtil começou em 2013, em Fortaleza, Ceará, quando consegui meu primeiro emprego como designer gráfico em uma empresa que trabalhava com sublimação e alguns produtos termocolantes.
Eu entrei como designer, mas, com o tempo, fui me envolvendo cada vez mais com a operação e com aquele mercado. Em 2015, já havia chegado à posição de gerente.
Foi ali que nasceu uma paixão pelo segmento.
Eu comecei a entender que não queria apenas trabalhar naquele mercado. Eu queria fazer parte dele, aprender cada vez mais e, um dia, construir alguma coisa minha.
Anos depois, fui trabalhar em outra empresa do mesmo segmento, que também atuava com termocolantes e venda de máquinas. Novamente assumi a gerência da produção e passei a dar treinamentos operacionais para os clientes que compravam os equipamentos.
Essa experiência foi muito importante para mim. Aprendi sobre produção, máquinas, materiais, processos e, principalmente, sobre os problemas que os clientes enfrentavam no dia a dia.
Mas foi em 2020 que a ideia de ter nosso próprio negócio começou realmente a sair do papel.
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Quando tudo começou
Minha esposa, Tamires, entrou na mesma empresa como minha auxiliar, a convite do próprio proprietário.
Foi ali que ela conheceu mais de perto aquele universo e passou a acreditar ainda mais na possibilidade de construirmos nosso próprio negócio.
Na verdade, ela foi a minha maior incentivadora.
Muitas vezes eu precisava de alguém que dissesse: “vamos tentar”.
E ela dizia.
Foi com o apoio dela, com muita conversa e com a vontade de construir alguma coisa nossa que decidimos começar.
Em outubro de 2020, começamos a história da Siart.
Não começamos em um galpão, com grandes máquinas ou uma estrutura pronta.
Começamos dentro de casa.
Eu ainda trabalhava de carteira assinada. Tamires também. Durante o dia, cumpríamos nossos empregos e, a partir das 18 horas, começava uma segunda jornada.
Atendíamos nossos clientes à noite e muitas vezes trabalhávamos até duas ou três horas da manhã.
No dia seguinte, tudo começava novamente.
E havia outro detalhe: eu tinha apenas R$ 1.000 para começar.
A máquina mais barata que precisávamos naquela época custava aproximadamente R$ 2.500.
Parecia que não ia dar.
Até que, um dia, olhando anúncios na OLX, encontrei uma máquina usada.
Depois de muita negociação, consegui comprá-la por R$ 800.
Era uma plotter de recorte de mesa pequena.
Não era uma máquina sofisticada.
Mas era suficiente.
Foi com ela que demos o primeiro passo.
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R$ 300 que significaram muito
Nosso primeiro pedido foi de aproximadamente R$ 300.
Veio de um amigo, Júnior, proprietário da marca 3F — Three F Clothing.
Ele foi um dos primeiros a acreditar na gente e, até hoje, continua sendo nosso cliente.
Quando olho para trás, aquele pedido de R$ 300 pode parecer pequeno diante de tudo que viria depois.
Mas naquele momento ele significava muito.
Era a prova de que aquilo que estávamos tentando construir poderia realmente funcionar.
Começamos pequenos.
Muito pequenos.
Mas começamos.
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O primeiro ano
O início foi difícil.
No primeiro ano, nosso faturamento não chegou a R$ 50 mil.
Havia momentos de frustração em que eu me perguntava se conseguiríamos sustentar a empresa.
Mas continuamos.
No segundo ano, chegamos a aproximadamente R$ 100 mil.
Para quem olha de fora, talvez não pareça um número extraordinário.
Para mim, era enorme.
Eu estava vendo uma ideia que havia começado dentro de casa, depois das seis da tarde, começar a se transformar em uma empresa de verdade.
E foi nesse momento que percebemos que talvez fosse hora de dar um passo ainda maior.
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A decisão de apostar tudo
Em outubro de 2022, Tamires deixou o emprego.
Dois meses depois, em dezembro, chegou a minha vez.
Saímos dos nossos empregos e decidimos viver exclusivamente da Siart.
E existe um detalhe dessa história que considero muito importante: quando saímos dos nossos empregos, já tínhamos colaboradores trabalhando conosco, mesmo a empresa ainda funcionando de maneira informal.
Alguns deles continuam conosco até hoje.
Isso diz muito sobre o que estávamos construindo.
Não era mais apenas um projeto de marido e mulher.
A Siart já começava a envolver outras pessoas que acreditavam naquele trabalho junto com a gente.
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Os erros também fazem parte da história
Em 2023, formalizamos nosso primeiro CNPJ.
Ainda não tínhamos experiência suficiente com a parte empresarial e nossa contabilidade também não conhecia profundamente as particularidades do nosso segmento. Por isso, inicialmente, nossa atividade acabou sendo registrada de uma maneira que não representava corretamente aquilo que realmente fazíamos.
Com o crescimento, fomos aprendendo.
E aprendemos algumas coisas da maneira mais difícil.
Quando a empresa já estava crescendo, decidimos investir em uma reforma para ampliar nossa estrutura.
Foi uma decisão que acabou nos deixando descapitalizados.
E, justamente nesse período, nossa primeira impressora industrial apresentou um problema na placa.
Não tínhamos capital suficiente para absorver aquele imprevisto com tranquilidade e também enfrentamos a dificuldade de encontrar profissionais realmente qualificados para aquele tipo de equipamento no estado.
Confiamos em um técnico que se apresentava como profissional e acabamos sofrendo um prejuízo ainda maior.
Ficamos aproximadamente 45 dias sem a máquina.
Para uma empresa pequena, aquilo poderia ter sido o fim.
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Quando precisamos dos concorrentes
Mas precisávamos continuar atendendo nossos clientes.
Então fizemos algo que, naquele momento, era difícil para nós: começamos a terceirizar nossa produção com empresas que também eram nossas concorrentes.
Foi uma das fases mais difíceis da nossa história.
Chegamos muito perto de fechar.
Mas, olhando hoje, percebo que aquela dificuldade também nos ensinou algo que nenhuma teoria empresarial poderia ensinar.
Comprando dos nossos próprios concorrentes, conseguimos conhecer de perto as deficiências que existiam no mercado.
Vivenciamos problemas de qualidade de materiais, produção, cores, prazos e atendimento.
E eu decidi transformar aquela experiência em combustível para fazer diferente.
Quando conseguimos recuperar nosso maquinário e voltar a produzir, eu tinha uma convicção muito clara:
eu não queria que meus clientes passassem pelas mesmas experiências ruins que nós havíamos passado.
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Fazer diferente
A partir daquele momento, passei a enxergar a Siart de uma maneira ainda mais clara.
Nosso objetivo não seria simplesmente vender.
Seria entregar um produto no qual o cliente pudesse confiar.
Começamos a investir em equipamentos melhores, tecnologias mais modernas, materiais de qualidade e processos cada vez mais eficientes.
Mas, acima de tudo, decidimos investir em uma coisa que considero fundamental:
consistência.
Não queríamos ganhar mercado simplesmente oferecendo o preço mais baixo.
Queríamos construir uma empresa reconhecida pela qualidade do que entrega e pela maneira como trata seus clientes.
Foi assim que fomos crescendo.
Um cliente de cada vez.
Uma parceria de cada vez.
Um problema resolvido de cada vez.
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Clientes que viraram parceiros
Desde o começo, tivemos pessoas que acreditaram na Siart quando ainda éramos pequenos.
Alguns daqueles primeiros clientes continuam conosco até hoje.
Por isso, existe uma frase que representa muito do que acredito:
na Siart, nós não adquirimos clientes. Construímos parceiros para uma vida toda.
Também aprendi que problemas fazem parte de qualquer negócio.
Quando algo dá errado, não acredito que procurar culpados seja o caminho.
Prefiro perguntar:
o que aconteceu, como podemos resolver e o que precisamos melhorar para que isso não aconteça novamente?
Essa maneira de pensar nasceu das nossas próprias dificuldades.
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Uma história que nunca vou esquecer
Entre tantas histórias desses primeiros anos, existe uma que até hoje nos faz rir.
Tivemos um cliente que meus colaboradores brincavam dizendo que tinha uma “energia ruim”.
Eu dizia que aquilo era besteira.
Mas havia uma coincidência curiosa: sempre que ele chegava à empresa, faltava energia.
Até que um dia aconteceu algo ainda melhor.
Eu tinha acabado de comprar meu primeiro carro, um Prisma 2016.
O cliente chegou, elogiou meu carro e foi embora.
No mesmo dia, fui dar uma ré…
E bati em um poste.
Até hoje essa história rende risadas.
Mas existem lembranças que são muito maiores do que qualquer história engraçada.
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De onde viemos
Talvez uma das lembranças que mais me emocionam seja lembrar de uma época em que, algumas vezes, eu não tinha dinheiro nem para almoçar.
E hoje olhar para tudo aquilo que construímos me traz uma gratidão enorme.
Eu sei o quanto trabalhamos.
Sei o quanto erramos.
Sei quantas vezes tivemos medo.
Mas também sei que, para mim, se não fosse Deus, nada disso teria sido possível.
É por isso que não consigo olhar para a nossa trajetória apenas como uma história de trabalho ou de empreendedorismo.
Existe muita fé, gratidão e aprendizado em tudo que construímos.
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Tamires
Se hoje existe uma Siart, existe também uma história de duas pessoas que decidiram acreditar uma na outra.
Tamires foi muito mais do que minha esposa nessa caminhada.
Ela foi minha maior incentivadora.
Foi quem fortaleceu a ideia de que deveríamos começar.
Foi quem acreditou quando ainda não havia garantias de que daria certo.
E hoje ela é minha sócia e continua fazendo parte dessa construção.
Talvez uma das maiores decisões da minha vida tenha sido justamente acreditar naquela ideia que começamos a construir juntos.
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O que a Siart representa
Hoje, quando olho para trás, vejo que a Siart começou com uma plotter pequena comprada usada por R$ 800.
Começou dentro de casa.
Começou depois das 18 horas.
Começou enquanto ainda tínhamos empregos.
Começou com um pedido de R$ 300.
Começou com medo.
Começou com dúvidas.
Mas também começou com coragem.
E foi crescendo através de muito trabalho, aprendizado, resiliência e pessoas que acreditaram em nós.
Hoje temos uma equipe de aproximadamente 13 pessoas e uma estrutura que continua evoluindo junto com a empresa.
Mas eu não vejo isso como o ponto de chegada.
Vejo como parte da caminhada.
Continuamos buscando novas tecnologias, equipamentos melhores e processos mais eficientes, porque acredito que uma empresa que para de melhorar começa a ficar para trás.
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Uma história para deixar
Meu maior sonho não é simplesmente construir uma empresa grande.
É construir uma história.
Quero que todo esse trabalho se transforme em um patrimônio, mas, principalmente, em um legado para meus filhos, meus netos, meus bisnetos e para as próximas gerações.
Quero que um dia eles possam olhar para trás e conhecer a história de como tudo começou.
Que saibam que não nasceu pronto.
Que começou pequeno.
Que houve dificuldades.
Que houve momentos em que quase não conseguimos continuar.
Mas que duas pessoas acreditaram, trabalharam, erraram, aprenderam e continuaram.
Essa é a história que quero deixar.
A história da Siart.
Uma história que começou em Fortaleza, Ceará, dentro de casa, com uma pequena plotter comprada na OLX e apenas R$ 1.000 no bolso.
E que continua sendo escrita todos os dias.
Porque, no fim, mais importante do que aquilo que construímos é aquilo que deixaremos para trás.